Técnica de artroscopia soluciona disfunções da ATM


Procedimento minimamente invasivo realizado por vídeo em Mogi
elimina dor e devolve a qualidade de vida

Dores de cabeça e ouvido constantes, além de dificuldades diárias na mastigação, fizeram parte durante mais de duas décadas do cotidiano da aposentada Maria José da Cruz Rego, de 62 anos. Desde janeiro, porém, sua vida é outra. Os transtornos foram eliminados após um procedimento minimamente invasivo: a artroscopia da Articulação Temporomandibular (ATM). No entanto, apesar dos benefícios, poucos ainda sabem que esta disfunção, que atinge 40% da população, sendo a maioria mulheres – que possuem a articulação mais sensível do que os homens – pode ter uma solução definitiva e acessível, já que os planos de saúde são obrigados a garantir a cobertura.

“Tive até labirintite por causa dos problemas na articulação da mandíbula. Usei aparelho ortodôntico aos 30 e 40 anos, mas não adiantou. Vivia mordendo a boca e sentia estralos na hora de mastigar, além de sempre tomar remédios para dores de cabeça e de ouvido. Foi assim até conversar com o Dr. Gustavo Tralli (cirurgião bucomaxilofacial), que fez a cirurgia e resolveu o problema. Hoje, posso comer de tudo e vivo sem dor e com qualidade de vida”, conta.

Assim como Maria José, desde outubro de 2012, quando estas artroscopias começaram a ser realizadas em Mogi das Cruzes, cerca de 100 pacientes já foram submetidos à intervenção, feita totalmente por vídeo, pelo cirurgião bucomaxilofacial Gustavo Tralli – cuja equipe se destaca como a primeira e única na cidade e Alto Tietê a realizar o procedimento com base em uma nova  técnica.

“A artroscopia da ATM é um procedimento minimamente invasivo, realizado por meio de uma cânula de apenas 1,9 milímetro. A técnica utilizada por mim e minha equipe vem sendo aplicada apenas por mais um grupo de cirurgiões em São Paulo e outro no Rio de Janeiro”, explica Tralli, lembrando que a nova metodologia vem se tornando referência a profissionais de todo o País, principalmente da capital, que se deslocam a Mogi a fim de acompanhar o procedimento. “Eles filmam e fotografam as artroscopias, cuja técnica é dominada por pouquíssimos profissionais no Brasil. Ela é a mesma utilizada por grupos americanos e consiste em reposicionar e estabilizar o disco articular na posição correta totalmente por via artroscópica”, conta.

Exemplo

A intervenção, que elimina problemas como dores na face e na articulação, dificuldade para abertura da boca e de mastigação, cefaléia, estralos e crepitação, dentre outros, já foi a solução para centenas de pacientes, como a estudante Geovana Conceição Silva, 16, que mora em Mauá, mas veio a Mogi em busca da artroscopia.

“Fiz a cirurgia em novembro de 2013, a recuperação foi tranquila e hoje posso mastigar tudo, além de viver sem as dores de cabeça, que eram diárias. Consigo me concentrar mais na escola e tenho uma vida nova”, destaca.

Os benefícios da artroscopia também garantiram que a gerente comercial Vanessa Matias, 34 anos, não precisasse mais cortar os alimentos em pedaços miúdos antes de mastigá-los. “Eu não tinha abertura total da boca e não conseguia ingerir a comida e frutas de uma só vez. Então, picava tudo, mas mesmo assim, tinha dores musculares, mastigação cruzada, estralos e zumbido no ouvido. Isso mudou depois de 5 de abril de 2013, quando fiz a cirurgia pela manhã e tive alta à noite. A vida voltou ao normal em uma semana. Se soubesse, teria feito a operação muito antes”, completa.

Procedimento é simples e rápido

A artroscopia exige apenas dois pontos na parte anterior ao ouvido que, após uma semana se tornam imperceptíveis, se o paciente adotar cuidados como uso de protetor solar e evitar a exposição ao sol. Ele deixa o hospital no mesmo dia e o pós-operatório é bem simples, apenas de analgésicos e anti-inflamatórios. “Em até quatro dias, 90% da condição física são recuperados, com qualidade de vida e sem a dor que impede práticas cotidianas como morder alimentos de consistência mais firme”, considera Tralli, alertando que como muitos dos incômodos decorrentes das disfunções da ATM são confundidos com outras doenças.

Segundo ele, aos primeiros sinais, um cirurgião dentista bucomaxilofacial deve ser procurado para evitar tratamentos desnecessários e sem efeito porque não atingem a causa do problema, originado muitas vezes por dentes fora de posição, restaurações em excesso ou outros fatores que fazem com que a articulação que movimenta a mandíbula não funcione bem. O diagnóstico é realizado após exame clínico e análise de ressonância magnética.

“O disco articular tem de acompanhar o movimento da mandíbula e quando está mal posicionado, não adianta medicação nem placas de mordida, porque o problema está dentro da articulação e só o reposicionamento do disco pode solucioná-lo de forma definitiva”, completa A cirurgia é indicada a pacientes a partir de 13 anos, não tem limite de idade, dura em média 40 minutos e ocorre em ambiente hospitalar, com anestesia geral. “Após o procedimento, o paciente usará placa de mordida e fará fisioterapia, sendo que todos os casos necessitam de acompanhamento do dentista para eliminar qualquer causa dental”, explica.

Publicação no MogiNews