Cirurgia ortognática elimina dor e tem rápida recuperação

Por mais de quatro décadas, a professora mogiana Regina Godoy, de 49 anos, enfrentou fortes dores diárias de cabeça, na coluna e no maxilar. Tinha dificuldades para mastigar e também para exercer a profissão devido a problemas na fala, que prejudicavam seu rendi- mento em sala de aula. A solução veio há um ano e meio, quando passou pela cirurgia ortognática, que eliminou as dores e resgatou qualidade de vida e autoestima. “Agora consigo comer até frutas, o que era bem difícil. Desde a infância convivi com isso, que me atrapalhava muito. Antes não havia tratamentos assim e pensava que a operação fosse um bicho de sete cabeças, o que não é. Foi bem tranquilo”, conta Regina.

Apesar dos benefícios, poucos sabem que a posição incorreta dos maxilares, que provoca o prognatismo (queixo para frente) ou retrognatismo (queixo para trás) e atinge 37% da população, pode ter solução definitiva e acessível, já que os planos de saúde são obrigados a garantir a cobertura. Segundo o cirurgião bucomaxilofacial Gustavo Tralli, que realiza o procedimento na Cidade, a maioria dos pacientes chega ao consultório com relatos de dores de cabeça, musculares e na ATM (Articulação Temporomandibular), apneia (respiração inadequada durante o sono), desvio de coluna, mastigação incorreta e obesidade.

“A cirurgia acontece sempre em hospitais, necessita de anestesia geral e é indolor. O paciente recebe alta no dia seguintee sai falando e mastigando, no início de forma reduzida, mas após 10 dias, estas funções são alcançadas em sua plenitude. Em até 12 dias, depois de repouso absoluto, ele já pode retomar suas atividades e recupera de 80% a 90% a condição física”, explica Tralli, um dos poucos no País a utilizar o software inédito de planejamento em 3D, que permite ao paciente, antes mesmo de realizar o procedimento,ver com precisão e sob todos os ângulos como ficará o rosto após a intervenção.

Outra beneficiada pela cirurgia foi a advogada mogiana Cristiane Quadros, de 35. “Tinha prognatismo e tomava analgésicos diariamente para aliviar as dores de cabeça, nos ombros e nas costas. Isso me incomodava há muito tempo, mas com a cirurgia, que fiz há três anos, consegui dores de cabeça, nos ombros e nas costas. Isso me incomodava há muito tempo, mas com a cirurgia, que fiz há três anos, consegui me livrar do problema.

Além disso esteticamente, o benefício foi grande e passei a ter qualidade de vida. Recebi alta no dia seguinte à operação, o rosto ficou inchado no começo, o que é comum, mas logo voltou ao normal. Valeu a pena”, relata.

Assim como ela, o empresário mogiano Maicon Garcia, de 23, que tinha prognatismo e passou pelo procedimento em dezembro de 2012, se diz livre dos problemas que o acompanhavam há anos. “Além de fortes dores de cabeça todos os dias, tinha a mordida cruzada, o que prejudicava a alimentação. Em alguns dias, não conseguia nem sair de casa devido ao incômodo. Eu tomava remédios e quando o efeito acabava, a dor voltava. Agora, é vida nova. O pós-operatório foi ótimo e para se ter uma ideia, fiz a cirurgia em dezembro e me casei em fevereiro do ano seguinte. É bem tranquilo e indico a todos que têm estes problemas”, destaca.

A intervenção também já foi a solução para centenas de outros pacientes, como a estudante Paula Stefania Ferreira de Souza, de 17, que mora em Guararema e veio a Mogi em busca da solução para os incômodos causados pelo prognatismo. “Operei em 27 de maio deste ano e em menos de um mês já percebi os resultados. Todos os dias, acordava com muita dor de cabeça, tinha dificuldade para mastigar, enjoo e não conseguia respirar direito, por isso acordava à noite com falta de ar. Agora estou 100%. As dores foram eliminadas e o rosto mudou bastante, ficou mais bonito. Se soubesse, tinha operado antes”, enfatiza.

Da mesma forma, o mogiano Murilo Takigawa Marcondes, de 20, fez a cirurgia há pouco tempo. “Meu maxilar era para a frente e conseguia mastigar apenas do lado direito da boca, porque do outro, a dor era insuportável. Para morder frutas, a situação ficava ainda pior. Nem risada eu conseguia dar direito e isso me incomodava demais. Era um sofrimento diário, mas há 3 meses tudo acabou. Fiz a cirurgia e agora estou bem. Não senti dor durante a operação e nem no período de recuperação. Hoje, tenho qualidade de vida, posso mastigar com tranquilidade e o maxilar ficou feito”, comemora.

O cirurgião alerta que vários dos problemas decorrentes do prognatismo e retrognatismo, com grande influência na qualidade de vida dos pacientes, são comumente confundidos com outras doenças. Por isso, aos primeiros sinais, um cirurgião dentista bucomaxilofacial deve ser procurado. “O diagnóstico preciso é imprescindível. Em mulheres, a cirurgia pode ser feita a partir dos 16 anos e, em homens, esta idade sobe para os 18, após o término do crescimento do esqueleto facial, mas assim que identificado, deve haver acompanhamento profissional constante”, explica, destacando que o tratamento é realizado em parceria com um ortodontista, devido à necessidade de utilização de aparelhos ortodônticos antes e após a cirurgia e, dependendo da situação, também com fisioterapeuta, fonoaudiólogo e psicólogo.

Matéria O Diário – 06/07/2014